1 de março de 2011

O FUTEBOL PAULISTA AOS OLHOS DE LUDIVINE SAGNIER

Por Marcelo Mendez

Ca estamos na Santa Segundona clássica do Canela de Ferro, a coluna futeboleira que não cansa de pecar por paixão. Se é que os disparates cometidos sob tal encanto podem ser considerados... pecados.E falando de encantos, sábado eu assisti novamente UMA MULHER DIVIDIDA EM DOIS do meus mestre magnânimo Claude Chabrol

Dentre todos os seus méritos, Chabrol tinha um feeling apuradissimo para escolher suas protagonistas femininas, tais como Romy Schnaider, Emanulle Beart e no filme em questão, a divina, bela e musa Ludivine Sagnier.Trata-se de uma mocinha francesa, loirinha, pequena, ex-modelo que chegou as telas de cinema através de um filme de François Ozon, de nome; SWIMMING POOL de 2003 quando contracenou com a lendária Charlote Rampling.

Ali, Ludivine fazia uma adolescente safada maravilhosa, uma ninfa que exalava sensualidade por todos os poros mas, por mais ordinário que seja esse cronista que vos redige as linhas tortas semanais, não me seduzi pelas curvas da francesinha. Foi o olhar. Aquela candura meio indefinida do azul daquele olhar, me deixou completamente embasbacado diante da telona. Chabrol percebeu melhor ainda.

Deu vida, atitude e força para a personagem que a menina fez em seu filme e revendo, chego a conclusão que o azul daqueles olhos tem uma divindade, uma sagração tamanha, que com certeza (embora eu creia que ela não ta nem aí pra isso...) possibilitaria a Ludivine hipinotizar o assassino Muhamar Kadhaf, e então convence-lo a pacificar a Líbia e depois sair vestido de Chacrete pelas ruas de Tripoli gritando; “Eu sou a Chiquita Bacana! Eu sou a Chiquita Bacana...”

Caros amigos que poderes inenarráveis tem aqueles olhos azuis. Mas pensando aqui para o tema que motiva nosso encontro semanal cá no Pastilhas... Será que com os olhos de Ludivine Sagnier, o futebol nosso aqui de São Paulo se tornaria algo mais apresentável?? Seria esse um problema de olhos, não tão sagrados como os de minha musa? Meus amigos... Mas que coisa chata que está se tornando o nosso futebol da paulicéia!Uma coisa modorrenta sem nada, absolutamente sem uma gota do desvario de outras paulicéias nobres que tanto fala sobre nossas origens e nossa terra. Que tédio! Começou no sábado com a pelada entre Santos x São Bernardo na Vila Belmiro.

Nem vou começar a falar dos caras que já desfilaram no sagrado estádio de futebol. Os que não são tão sagrados também já propiciaram noites bem mais agradáveis do que esta ultima. O Santos entrou em campo movido pelas idéias mirabolantes de Adilson Batista, técnico muito bom, trabalhador, honesto mas inquieto para o mal. Não consegue ver sua equipe jogando bem por 4 partidas seguidas e na menor brecha possivel ele pensa la com o isotônico dele a beira do campo; “Tenho que mexer, vou causar uma desavença que a paz num me agrada...” E assim fez!

Neymar arrebentou com o sulamericano sub 20, jogando bem, onde sempre jogou; Do lado esquerdo do campo, cortando pra diagonal. Nosso Adilson colocou o moleque do lado direito. Tinha um Maikkon Leite voando, metendo gol, jogando muito e subitamente, não escalou mais o rapaz. Tinha um Zé Eduardo finalmente jogando bem, levando as coisas a sério e sabe lá o diabo porque, escalou o decadente Diogo. O resultado disso foi a inconstância que ce viu em campo no ultimo fim de semana.

O Santos nunca foi senhor do jogo. Atacou o São Bernardo por mera chatice, conveniência estupida. Aqui no nosso futebol, a impressão que temos é que todos os papéis estão definidos em uma peça burlesca, sem a liberdade de improviso algum. Os times pequenos se defendem, entram com 3 zagueiros, 6 caras no meio campo, um solitário homem enfiado no meio dos zagueiros e então, fechadinhos atrás, ficam tomando sufoco e dando chutão o jogo todo. O time “grande” por sua vez, usa três zagueiros, abre dois atacantes para os lados que é para sofrer mesmo! Pelo amor de deus... Se o time usa 3 zagueiros, como, de que jeito, os dois atacantes abertos vão chegar ao gol??? Óbvio que sempre esbarrarão num muro e ainda terá uma sobra pra conte-los. Assim foi na vila belmiro.

O Santos, que dessa vez teve o Zé Eduardo. Não se sabe porque, o atacante começou a cair para os lados e foi facilmente marcado pela zaga do Tigre. Neymar por sua vez, quando fez uma mísera jogada do lado esquerdo que é onde ele tem que jogar, cavou um penalti totalmente mandrake e saiu na frente fazendo 1x0 se nenhum merecimento. Seguia a risca o script do papinho furado do “O que vale são os tres pontos...' Acontece que as vezes o futebol puni isso.

O São Bernardo no segundo tempo não fez nada demais. Apenas avançou o monte de volantes que tinha para marcar o Santos um pouco mais a frente. Quando roubava a bola, estourava portanto em cima da fraca zaga santista. Numa metida de bola, conseguiu achar um jogador lá para driblar o goleiro Rafael e sacramentar o 1x1 que se arrastou chatamente até o final. E nem o azul dos olhos de Sagnier toraria aquilo um pouco melhor!

No domingo não foi diferente.Entre Palmeiras x São Paulo no morumbi teve de tudo; Enchente no Morumbi, piscinão improvisado pelos torcedores nas arquibancadas, apagão, pancadaria em campo, reclamação, cai-cai... em instante algum se lembrava que aquilo era um partida de futebol. O torcedor que esperou mais de 1 hora de atraso para a peleja começar, dormiria se os acentos estivessem sequinhos. Um horror de jogo.

Com o campo feito um pasto encharcado, não deu para ver o ótimo Lucas jogando, Ainda teve os rápidos Fernandinho e Dagoberto dando trabalho aos lentos zagueiros do Palmeiras. Assim abriu o placar com Fernandinho. E venceria o jogo se Alex Silva não fosse tão burro e cavado sua própria expulsão. Com um homem a mais e um atacante de verdade que nem é la essas coisas, o Adriano, o verde de Palestra itália foi pra cima do São Paulo, martelou e conseguiu o mais burocrático e careta dos resultados: 1x1.

Depois do jogo a chatice continuou por coletivas, entrevistas e arredores do inundado estádio do Morumbi. Uma coisa indecente de se ver e acompanhar. Fico pensando se isso tem mesmo que ser assim. Será que não da pra pelo menos uma veizinha mísera que seja, será que não vai ser possível ver de fato uma partida de futebol autentica, com tudo que o torcedor merece ver? Bom...

Enquanto eles não decidirem eu fico com Ludivine...

22 de fevereiro de 2011

UM SHEAKESPEARE TUPINIQUIM ENTRE OS MORTAIS DE CHUTEIRAS E A FÁBRICA DE VILÕES LUDOPÉDICOS

POR MARCELO MENDEZ


E começa mais uma segunda feira aqui no Canela de Ferro, recheada de causos do pós day do futebol brasileiro. Pelo menos em tese deveria ser assim...O amigo leitor que me entenda; Não tenho mais paciência para jogo ruim. Sim, sei que por vezes sou exigente demais. Mas convenhamos né? Sou brasileiro e entre uma das coisas pela quais preza nossa excelência o futebol é uma delas. Não dá para ver jogos modorrentos, enfadonhos como o 0x0 indecente que meu Palmeiras protagonizou conta o Mogi Mirim.

O São Paulo por mais que siga na mesmice de nossos campos, ainda meteu 4x0 no Bragantino com ótimas atuações de Dagoberto e do menino Lucas.Nosso Clássico de domingo, entre Corinthians x Santos tinha tudo para ser um jogão e até que foi um bom jogo. Dentro dos critérios nossos aqui nessa coluna do Pastilhas Coloridas, podemos dizer que foi um jogo correto. No duelo dos alvi negros. O de Parque Sâo Jorge contou com uma partida ótima dos seus volantes Paulinho e Ralf, que facilmente marcaram um Santos que, por decisão de seu treinador Adilson Batista, jogou sem um atacante referencial, optando por dois jogadores mais leves; O cansado Neymar que não para de jogar e um insoso Diogo.


Resultado: 3x1 para o Corinthians, com partida de gala do lateral Fabio Santos, marcador de 2 gols. Pouco se falou portanto da ausência de Roberto Carlos e de Ronaldo, lindamente homenageado no Pacaembu. Mas eu não sei, acho que o foco da crônica tem que ser outro e pensando, não poderia ser de outro, o nosso protagonismo ludopédico:

BOTAFOGO FUTEBOL E REGATAS...

Um tempo atrás, escrevi sobre a choradeira épica que essa equipe protagonizou após a perda de um titutlo carioca. Foi uma nova versão da Ilíada de Homero, botando a grandiosidade dos Épicos de Cecil B. Mille no chinelo. Afinal de contas, o que é um pseudo Épico diante de um juiz ladrão !?! Pois bem...


Na ocasião o clube se sentiu roubado de maneira venal pelo árbitro que segundo eles, deixou de marcar um pênalti contra a esquadra alvi negra e marcou um outro, inexistente para o Flamengo. As câmeras de tv mostraram claramente que o lance do Flamengo foi pênalti e o do Bota, discutível. No final da decisão da Guanabara, vi então 25 homens, suados, esbaforidos, aos prantos, diante de toda a imprensa nacional, dizerem que foram assaltados no maracanã... Para fechar com chave de ouro, vem o Presidente do clube, com a pressão estourando de alta, sem ar e renuncia! Foi mais épico que a Divina Comédia de Dante! Ta... Aí pensei;


Que pecha é essa que acompanha esse time? Voltando na história, encontraremos personagens riquíssimos que vestiram essa camisa e acabaram em semelhante situação de drama; Paulinho Valentin, Garrincha, Heleno De Freitas... A tragédia acompanha a todos. Parece uma via de regra nesse clube tão vencedor. Mas a impressão que me fica é que a grandiosidade das tragédias botafoguenses é maior que seus feitos em campo. Garrincha que foi um dos maiores nomes do futebol mundial morre à míngua com sérios problemas ocasionados pela cachaça; Paulo Valentin, ídolo da seleção brasileira, respeitadíssimo no Boca Juniors da Argentina onde passou com destaque, casado com Hilda Furação quando vivia o auge de sua carreira nos campos, morre pobre e esquecido em Minas Gerais.


Heleno... Ah Heleno...


Heleno merece um livro. Foi um ícone de seu tempo. Jogador elegantíssimo, homem bonito, galante, foi um dos primeiros jogadores a perceber sua enorme importância na vida social da classe alta da cidade grande. Impecavelmente vestido, sempre nas altas rodas, homem de extrema classe, dentro de campo não deixava por menos. Era um artilheiro refinado, desses que chama a bola de “você”. (Tinga de meu Palmeiras por exemplo, pra falar com a Redonda manda ofício...) Teve uma vida conturbada, de mulheres, boêmia e escândalos. Era incompreendido no seu tempo e como tal, morreu em um manicômio em Barbacena. E toda vez que se fala dele, se esquece de comentar o que o homem fez em campo. Então isso é uma praga solta em Marechal Hermes?


Vejamos:Ontem no Engenhãoi o Bota tinha absolutamente tudo para ir a final da Taça Guanabara e terminar uma ingrata freguesia ostentada pelo Flamengo. O time da Gávea, recheado de jogadores comuns como Fernando's, Angelin's Deivide's e mais um “super astro” que não joga, nosso afamado Ronaldinho. Um time medíocre que tem aproveitado uma maré de embalos e sparing’s de 15ª categoria para viver uma enganosa calmaria. Entrou em campo muito mais com nome que com bola comprovada. E nosso Botafogo?


Time certinho. Muito bem arrumado por Joel Santana, contando com bons jogadores como o lateral Marcio Azevedo, com seus dois atacantes de respeito como Herrera e o diferenciado Louco Abreu, contando com ótima fase de Renato Cajá, com o jovem apoiador Everton, tudo muito arrumadinho. Dominou o Mengão o jogo todo. Não tomou sustos nem para sofrer o gol de Ronaldo Angelin num desvio de cabeça que botou o time da gávea na frente. Voltou para o segundo tempo e empatou a pelja numa ótima finalização de Louco Abreu. E então a proximidade com o épico bateu a porta do Botafogo...


Quando tudo parecia caminhar para decisão dos penaltis sem maiores sobressaltos, eis que o Botafogo ataca. Numa tentativa de metida de bola do zagueiro Antonio Carlos para Louco Abreu, eis que a pelota bate no braço de Renato do Mengão dentro da área. Bom...

Se fosse qualquer outro time a coisa terminaria nas mesas redondas de domingo a noite. Mas amigos, falo do Botafogo.


Essa coisa Sheakspeareana que tanto enriquece nosso futebol brazuca. O time de Marechal Hermes é uma fabrica proeminente de epsódios épicos que engradecem a vida dos relés cronistas como este que vos redige essas linhas tortas. Nada no nosso futebol supera os rostos dos torcedores Botafoguenses após uma decisão polêmica do arbitro dentro das 4 linhas. O penalti não foi assinalado! E nem por isso faltou penaltis ontém no Estadio do Engenehão. Tava claro o que ia acontecer...


Na disputa de penaltis que decidiu a vaga para final, o goleiro felipe do Flamengo defendeu duas cobranças e mais uma, de Renato Cajá, foi para fora. O Botafogo perdeu como não poderia deixar de ser. Afinal de contas, tem times que se contentam com as vitórias. Outros, grandiodos como o alvi negro de Marechal Hermes preferem o gigantismo da história, dos Épicos, das Lendas. A história do Botafogo ganha ontém mais um desses capitulos. Claro que a pergunta insiste em perturbar:Que passa com o Bota?O grande Sandro Moreira, jornalista que tanto li dizia que isso é porque “Tem coisas que só acontecem ao botafogo”. Como não sou brilhante como esse meu mestre lhes digo que:Tem coisas que o Botafogo faz de tudo para acontecer com ele...


17 de fevereiro de 2011

UM POUCO DO BORING ARSENAL

Por Felipe Bigliazzi

Boring Arsenal Boring: Eis o termo que marcou aquela vitoriosa equipe comandada por Bertie Mee no principio da década de 70. Com mentalidade totalmente oposta a do time atual, o Arsenal obteve em 1971, a famosa dobradinha. Aquele time aguerrido, definido pelos rivais londrinos - de Chelsea, Tottenham e West Ham - como a equipe mais chata da Inglaterra -adorava vencer os seus embates pela mínima contagem.

Tinha como jogador emblemático, Charlie George; o volante carismático e raçudo, que acabaria entrando para a historia do clube ao marcar o gol do titulo da Copa da Inglaterra, daquele ano, frente ao Manchester United. Prata da casa, George bem que poderia servir como exemplo a ser seguido pelos jovens mimados de Arséne Wenger. Nenhum torcedor do Arsenal pode reclamar da proposta deliciosa do manda-chuva francês. O que incomoda é a falta de títulos, ou melhor dizendo, de grandes vitorias em jogos graúdos. Nesta noite no Emirates, mais do que a sobrevida na principal competição interclubes do mundo, os garotos de Wenger tinham a chance de provar que enfim, podem crescer. Pela frente, o adversário ideal; aquele com quem aprendera a filosofia de que a bola é a bíblia, e o gol, um mero detalhe.

O rival não era apenas o embrião futebolístico, mas também o algoz mais temido e admirado da década. Aquele gol espírita de Belletti, e a atuação hollywoodiana de Lionel Messi, no ano passado, ainda atormentam a cabeça de todos. De Barcelona também vem a peça fundamental de Arséne Wenger.É claro, estamos falando de Cesc Fabregas. O meia catalão, tirado das canteras blaugranas, começou a partida ao lado de Samir Nasri - que voltava de lesão - e do veloz Theo Walcott. Juntos formariam a linha de três armadores do esquema 4-2-3-1, armado por Wenger, com objetivo de pressionar o Barça na sua saída de bola. Nos primeiros 15 minutos, a proposta do Arsenal deu resultado. O Barcelona estava preso, paralisado em seu próprio campo. Mais do isso, o Barcelona estava sem a bola. Antes do jogo, Andrés Iniesta, havia dito que o Arsenal, assim como o conjunto culé, goza quando estão com a bola, e sofre quando estão sem ela. E foi isso que aconteceu. Van Persie teve a primeira chance, após belo passe de Fabregas; e as coisas pareciam florescer no norte de Londres.

Eis, porém, que de repente, o conjunto culé encaixou a marcação. Para conter o tic tic do Barcelona, Wenger escalou Wilshere e Song, como cães de guarda. Ambos deveriam seguir a dupla do momento: Xavi e Iniesta. No entanto, estamos falando da melhor equipe do mundo, e com um ataque rápido, habilidoso, e ainda por cima, imprevisível taticamente, o campeão espanhol começou a criar suas chances. A troca de posições entre Messi e Villa eram um tormento. Na primeira chance, Villa se transvestiu de Messi, e com um passe cirúrgico, deixou o argentino cara a cara para tirar o branco do placar. Com um toque sutil, a pulga tirou Wojciech Szczesny, mas com caprincho dos deuses londrinos, a bola passou rente ao poste, e assim, o melhor do mundo ficou outra vez sem sentir o gosto de gritar um gol na terra da rainha. Com seu 4-3-3, já clássico, o Barcelona começou a dominar as ações. Messi atuava sem posição fixa. Com Song e Wilshere, atormentados com o toque de bola de Xavi e Iniesta, o Arsenal ficava sem um marcador para Messi. Villa que a priori, se posicionava pelo lado esquerdo do ataque, saia em velocidade, confundindo Eboué e toda defesa do Arsenal. E foi justamente assim, que surgiu o passe genial de Messi, para que o artilheiro da Espanha no último mundial, desse um toque sutil: 1 a 0 e silencio no Emirates.

No intervalo, certamente, aqueles barrigudos, semi-calvos, com a sabedoria de um gunner cinquentão, ponderava que para evitar o mesmo final da temporada passada, era preciso ser o velho Boring Arsenal. Não há como vencer o Barcelona jogando apenas com a bola nos pés, o negócio era apelar para o ímpeto de outrora. No banco de reservas, havia certa inspiração. Pat Rice, então lateral direito daquela equipe de 71, estava ali, sentando ao lado de Wenger, como assistente técnico e símbolo da gana que deveria ser imposta.

No segundo tempo, com o afã semelhante aos dos tempos de Rice, o Arsenal retomou o domínio das ações; no entanto, o fator chave para o enredo final, acabaria vindo com as modificações orquestradas por ambos treinadores. Guardiola, que havia sido estagiário de Wenger, recuou o time, apostando em Keita, para tentar conter os avanços de Walcott - que começara a atormentar o frágil Maxwell. No entanto, Guardiola matou o que tinha de melhor até então. Sacando Villa, conseqüentemente, acabaria apagando Messi, já que Pedro estava totalmente fora de ação e aquela alucinante troca de posições no ataque culé estava decretada ao acaso.

Wenger, astutamente, colocou Arshavin pela meia-esquerda. Nasri, inverteu de lado e assim, começaria o pesadelo culé. Para aguçar a pressão, o treinador francês ainda colocaria Bendtner, e assim, o Arsenal terminaria a partida, em um agressivo 4-1-3-2. A audaz mudança seria recompensada.O empate veio em um passe sagaz de Arshavin, que encontrou Van Persie; o holandês, que vive grande fase, ganhou a posição, e bateu aparentemente sem ângulo, mas contando com a falha de Valdés, anotou o empate para delírio da metade vermelha do norte de Londres. Assim, como no passado, o empate deixava o torcedor com sabor a nada. Era preciso vencer.

Eis que, como num capitulo épico de Febre de Bola, Fabregas armou um contra-ataque digno do Boring Arsenal. Nasri dominou, olhou, e assim, encontrou Arshavin vindo na corrida.Entrando em diagonal, o russo rolou com categoria, de primeira, no contra pé de Victor Valdés. Era a redenção. A confiança estava de volta e o orgulho de voltar ao passado e afirmar: para voltar a ganhar dos grandes é preciso um pouco da alma do Boring Arsenal

15 de fevereiro de 2011

O LINEAR DO SONHO TUPINIQUIM E OUTRAS MUMUNHAS...


Por Marcelo Mendez

Toda segunda feira é um dia diferente para quem trabalha com futebol no Brasil. Geralmente marca o pós day da rodada do domingo e aos bons olhos da crônica, como dizia Julio Cortazar sobre a torcida do Boca Juniors na arquibancada da Bombonera; “Em cada boca se reza uma oração; Em cada coração se faz um santo; Em cada gol a redenção do povo que sofre...” São várias as histórias que os estadios nos contam a cada a semana. Só não vê quem faz questão absoluta e ululante de ser cego. Ou idiota mesmo...

Mesmo com partidas hediondas jogadas por Corinthians 0x0 Paulista e Palmeiras 1x0 Americana, com tudo que pode haver mais burocrático no Santos 2x0 Noroeste. Ainda que a torcida da lusa tenha protagonizado a cena mais triste após a derrota para o São Paulo por 3x2... Ainda assim caro leitor, a riqueza que rege o entorno de uma partida de futebol renderia ótimas cronicas desses jogos. Mas aqui o futebol é visto de outro jeito como dizem meus amigos editores Vinicius Alves e Claudio cox e faço gosto em seguir o slogam. A cronica hoje vem de fora do campo e nem poderia ser outra; Ronaldo não jogará mais futebol.



Andei pensando; Nos anos 50, os americanos do pós guerra chamaram sua over de consumo de “american way life”. Comprar carrão , fumar cigarro “tal”, casar com uma loira peituda, comprar uma casa no subúrbio... Era o tal jeito americano de viver. Isso foi protagonizado à risca por jogadores de Beisebol, de basquete e de futebol americano. Assim que assinavam um contrato, compravam um Cadlilac e ganhavam uma dessas casas nos novos subúrbios de lá. Pensei num paralelo conosco e com nosso futebol aqui mas não há por uma simples razão;Nossos sonhos não tem grife.


Não há glamour num moleque semi alfabetizado, privado de educação, saúde e de qualquer outro compromisso do poder público, que de uma hora pra outra, pensa em jogar futebol para no máximo, comprar uma casa sem goteira para a mãe, um carrinho pra deixar de pegar ónibus e quem sabe, algo perto da praia. Não tem nada de edificante na trajetória desse rapaz...


Ele do nada, começará a aparecer na televisão. Cobrarão dele um esmero maior no uso do vernáculo, dirão que “jogador de futebol não pensa”, que são óbvios demais e claro que até certo ponto terão razão. Eu mesmo, digo com fundamento uma série de vezes. Mas será que o futebol precisa tanto disso, digo; Será que é tão fundamental ter razão assim?


Essa “razão” leva em consideração todo o histórico da vida desse moleque? Como ler André Gide, quando a maior necessidade da vida da pessoa é descolar uma grana pra comprar um pacote de arroz? Da pra ser “edificante” de barriga vazia e sem ter onde morar? Claro que isso é uma merda mas essa é a realidade do país onde vivemos.


Os poucos moleques que encontram a saída no futebol tem urgência! Precisam aproveitar os 10, 15 anos de carreira pra ganhar algo para viver por toda a vida. Urge, a vontade de aproveitar os holofotes, as mulheres e tudo que todo sujeito sonha em ter na vida. Alguns, por toda a vida, o jogador de futebol, apenas por 10 ou 15 anos. E ainda tem que ser “Culto” pra agradar a classe média. Nessa segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 vivemos um o ocaso de uma dessas vidas.


Ronaldo Nazario de Lima, era um moleque franzino, muito pobre que começou a dar seus chutes em Bento Ribeiro, subúrbio do subúrbio do Rio De Janeiro, no futsal do Social Ramos e depois no São Cristovão. Alí, o sonho era garantir uma cesta basica para sua mãe, empregada domestica que o sustentava. Não demorou muito o Cruzeiro de belo horizone o encontrou e daí se fez o mito.Foi grande na Holanda com a camisa do PSV Eindhoven. Fez magica nas tardes noite da catalunha vestindo a camisa 9 do Barcelona. De lá foi artilheiro da Inter de Milão, Real Madrid e seleção Brasileira. Com a amarelinha fez história...


Ronaldo ressurgiu de suas contusões dezenas de vezes. Em muitas para se aproximar da lenda, como fez em 2002. Após uma ruptura de ligamento patelar do joelho, dado como inutilizado por todo mundo, ele volta e vai para a copa da Asia para sair dela, com o titulo de campeão do mundo, artilheiro da copa e melhor jogador do universo. Daí veio o estrelato.


Claro que Ronaldo deitou e rolou! Teve todas as mulheres que quis, frequentou todos os lugares que jamais imaginou, foi endeusado como seus feitos assim cobravam de nós mortais e em algum momento, perdeu o foco LINDAMENTE de sua carreira. E daí?? Porque no caso de um jogador de futebol, o comportamento ilibado é cobrado tanto pela sociedade? A mesma sociedade cobra isso do politico safado? Do vereador ladrão? Bom isso é pra outra cronica em outro momento...


Ronaldo jamais deixou de ser digno em toda sua vida. Tanto como jogador, quanto como cidadão, Ronaldo teve a altura dos gigantes da história. E no dia de sua despedida, não fugiu disso. Chamou uma coletiva para dizer que as dores de seu corpo venceram o jogador. Disse que ficará mais com a familia e que seguirá de perto com o futebol porque não conseguirá se afastar de um todo. Chorou e fez chorar.Acabou.


Nessa sociedade destruidora, ávida por imediatismos, sei que no primeiro momento Ronaldo não será enaltecido como ele merece. O maior artilheiro da história das copas, um dos maiores jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos, tudo bem; O distanciamento histórico se encarregará de dar a Ronaldo esses méritos reconhecidos, e acho que tanto ele quanto eu, não temos pressa.


O que fica, é o termino de uma carreira gloriosa, linda de vitórias e superação. Eu não tenho mais nada para dizer no momento e encerro a coluna fazendo jus a esse momento histórico dizendo a única coisa que um amante de futebol pode dizer numa hora dessas:


Obrigado e bom descanso, Ronaldo!


24 de janeiro de 2011

MANIFESTO DA TRIVELA; A HORA E A VEZ DOS MENINOS TIRAREM AS CHUTEIRAS

Marcelo Mendez

Sabado a tarde é dia de carimbó no garajão da casa de meu amigo Marcio na rua tanger. A tia do amigo, Dona Nêga, bota o Pinduca pra tocar, o povo dança e a gente coloca a prosa em dia no Parque Novo Oratório. E o tema favorito, obviamente é o futebol..

La pelas tantas, Seu Honório falava da qualidade do futebol do seu Corinthians no que Laércio, corinthiano doente, justificou:“Ah mas precisa ganhar os pontos, não da pra enfeitar, nem brincar. Futebol é coisa séria...”Bom, então ta explicado porque o futebol dos clubes grandes de São Paulo é tão chato no Campeonato Paulista.

Amigo leitor que tem problemas de insonia, que faz uso de recursos químicos para embalar os sonhos pode ficar tranquilo. Nem o lexotan é mais eficaz para o sono, do que os “sérios” times do São Paulo, Palmeiras, Corinthians. O São Paulo tinha tudo para ter um fim de tarde de sábado feliz. Além do grande jogador Rivaldo, anunciado como grande reforço para a temporada, seu capitão e goleiro histórico, Rogério Ceni, caminha firme para os 1000 jogos com a camisa tricolor e, rumo aos 100 gols como goleiro! Além disso comemorava seu aniversário e tudo previa que no morumbi, teríamos uma tarde de gala. Mas acontece que a coisa tem que ser séria...

De maneira então... “séria”, Carpegiani escalou seu time com a maldição dos três volantes, Carlinhos Paraiba, Cleber Santana, Rodrigo Souto. Não teria problema algum, se um desses, saísse para o jogo, ajudando o meia Marlos a abastecer Fernandinho e Dagoberto a frente. Sem essa ligação, os atacantes ficavam a frente sozinhos, clamando para que algum dos marcadores da Ponte Preta, não fossem tão “sérios” e uma bolinha sobrasse. Ao contrário; sobrou uma, que rogerio ceni soltou na cabeça de thiago luiz. Final de baile:Ponte Preta 1 x0 São Paulo.

O Palmeiras então não vale a lauda. Na base da trombada, uma bola “achada” no final do jogo decretou o enganoso 1x0 pra meu verde, diante do Oeste em Itapolis. Mas e o Corinthians do meu vizinho Seu Honório? Pois é...Vivemos uma era onde a fantasia é quase um crime lesa-pátria! Nesses tempos pragmáticos, até a memória é deixada de lado em prol da dita seriedade. O Corinthians segue essa máxima à risca. Ninguém no Parque São jorge ta preocupado em saber os numeros de equipes como Boca juniors e Independiente, autenticos papões de titulos sulamericanos na tão sonhada competição. Passa longe do empolado Tite, que uma Libertadores pode ser encarada com leveza e qualidade. Oras amigos...Imaginem o melhor time do mundo, o Barcelona, sem as brincadeiras de Messi, Xavi e Iniesta? E isso não é produtivo? Vejamos; O Barça venceu TODOS os titulos de 2009/2010, teve tres jogadores concorrendo aos titulo de melhor do mundo, mais o técnico! E olha que o Josep Guardiola não lê livro de auto- ajuda, hein Tite?!?

No time do Parque São Jorge, os meninos não podem mais brincar. São cobrados para encarar uma reles partida contra um remendado Nororeste de Bauru, pelo Campeonato Paulista, como a batalha pela retomada de Constantinopla! É tudo duro, sem graça, sem alegria... O gol que abre o placar feito por Dentinho, vem de maneira sofrida, suada, de canela! Amigo leitor, de canela!! E ainda desviou no zagueiro pra matar o pobre goleiro do interior. Aí sim, diriam os pragamatas, “com seriedade, 1x0 no placar”. E sem nenhuma cerimonia, o grande Corinthians recuou estupidamente para segurar esse resultado e claro... Foi castigado.

Após Roberto Carlos tropeçar na bola, o nororeste arrancou para o contra ataque. E nas costas do péssimo lateral moacir, num tiro cruzado, empatou o jogo. Resultado que seria normal. Afinal de contas, num campeonato de 20 clubes, dos quais 8 se classificam, qual o problema de empatar um jogo desses na terceira rodada?? Mas aí que tá; Não há leveza nas relações do futebol atual.

Tite gostaria de chegar na coletiva e dizer isso que vos digo. Que esse resultado é perfeitamente recuperável e que isso não é problema nem de longe para quem tem uma fase classificatória complicada pra ser jogada. E porque não diz também? Willian Blake escreveu uma vez no seu Casamento do Céu com Inferno, que “Aqueles que reprimem o desejo assim o fazem porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser reprimido”. Tite, que outrora fôra um técnico inovador, de idéias arejadas e lúcidas, hoje é apenas mais um burocrata da bola, enchendo o seu time de voltantes e alas, em busca de nada de encanto. Se contenta com “tres pontos”.

Enfretará o Deportes Tolima na quarta-feira, sobre os estgma do “jogo da vida”. A vida é triste demais aos que resumem ela à “um jogo da vida”. Assistirei isso por puro dever de oficio. Mas confesso aos amigos leitores que ficarei imensamente feliz se um moleque abusado contrariar essa lógica da seriedade tola. É como o samba...

Deixa o menino brincar, Tite...

12 de janeiro de 2011

TOP 5: AS ENTRADAS QUE MARCARAM ÉPOCA


Joelhada na nuca, carrinho frontal, tesoura por trás, voadora nas costas e solada no joelho. O repertório é vasto e, para deleite dos amantes do jogo bruto, preparamos um top 5 com as entradas mais violentas da história dos campeonatos: brasileiro, inglês, argentino e espanhol.

A Copa de 2010 levou ao delírio os não-adeptos do Fair Play. A voadora no peito que Xabi Alonso recebeu de Nigel de Jong serviu como emblema para o torrneio que ficaria marcado por retrancas ferrenhas e truculência desmedida - que o digam Felipe Melo, Van Bommel e Pepe. No entanto, nada se compara a joelhada do goleiro alemão, Toni Schumacher, na nuca do francês Patrick Battiston. A semifinal do mundial de 82 se encaminhava para a prorrogação, quando Michel Platini enfiou um passe milimétrico para que Battiston, que acabara de entrar, ficasse cara a cara com Schumacher. No entanto, o único que o defensor francês encontrou pela frente, foi o joelho do goleiro alemão em sua nuca. Resultado: três vertebras quebradas, além da perda de três dentes. Schumacher fez como se nada tivesse ocorrido. Battiston ficou desacordado, enquanto o arbitro holandês, Cover, aguardava para reiniciar a partida sem ao menos dar a penalidade ou um eventual cartão. Após empate de 3 a 3 na prorrogação, a Alemanha Ocidental bateu a França por 5 a 4 nas penalidades - com duas cobranças defendidas por Schumacher - classificando-se para a final, onde seria derrotada pela Itália de Dino Zoff e Paolo Rossi.



ANDONI GOIKOETXEA EM DIEGO MARADONA

Qualquer documentário sobre Maradona emite a imagem da brutal entrada de Andoni Goikoetxea no tornozelo esquerdo, do entao, maior jogador do planeta. Mais do que deixar Maradona por três meses e meio fora de ação, o zagueiro do Athletic de Bilbao, decretou uma guerra que marcou o futebol espanhol na decada de 80 entre o clube basco e o F.C Barcelona. Javier Clemente, que era o treinador do Athletic de Bilbao, afirmou: "Ellos no tienen nuestra raza.Están hecho de una pasta diferente". Dois anos antes, o mesmo Goikoetxea havia arrebentado os ligamentos do joelho direito do também blaugrana, Bernd Schuster, e a vingança culé viria na final da Copa do Rei da temporada 83/84. Em pleno Santiago Bernabeu, e com a presença do Rei Juan Carlos, o Athletic de Bilbão venceu o Barcelona por 1 a 0, com gol de Endika. Finalizado o encontro, Maradona cobrou sua vingança partindo para cima de Goikoetxea e dos demais jogadores do time basco. O resultado foi uma batalha campal, que culminou com jogadores e até jornalistas feridos. A Federação espanhola sancionou três meses de suspensÃo a Maradona, Goikoetxea e outros quatro jogadores. A sanção abreviou a passagem de Maradona pela Espanha, pois após desentendimento com a diretoria do Barcelona, Dieguito rumou para Nápoles, onde faria história.



SEBASTIÁN MENDEZ EM RADAMEL FALCAO

No dia 8 de Maio de 2008, presenciamos o jogo que melhor representa a Copa Libertadores:Pontapés, cotovelas, bate boca e um final comovedor marcariam aquele River e San Lorenzo válido pelas oitavas de final. Os azulgranas, com nove jogadores, e com um 0 a 2 no placar, foram buscar um empate heróico em pleno Monumental de Nuñez. Os dois gols de Gonzalo Bergessio, levaram o conjunto de Boedo para as quartas de final da Copa Libertadores. Durante o jogo, o atacante colombiano, Radamel Falcao - atualmente no Porto - esquentou o confronto, após um carrinho desqualificador no zagueiro Sebastián Mendez. O River vencia por 1 a 0, quando Falcao deu uma tesoura que ocasionou uma microfratura no joelho direito de Mendez. O calvo defensor sabendo da gravidade da lesão - que o deixou 1 mês e meio parado - partiu para cima do colombiano, onde foi possivel escutar em bom castelhano: "Hijo de mil putas". No segundo tempo, o zagueiro Jonathan Bottinelli reividou da pior forma: dentro da área, deu uma cotovelada na cara de Falcão. O penalti convertido por Loco Abreu deu a impressão que o confronto havia acabado. Ledo engano. Três meses se passaram, até que as duas equipes voltaram a se encontrar pela quarta rodada do torneio Apertura. O jogo que acabou em um empate sem gols, ficaria marcado por constantes entradas desleais e uma verdadeira caça a Radamel Falcão. Eis que aos 47 minutos do segundo tempo, Ojeda cobrou um tiro de meta, e a bola veio justo em direção aos eternos inimigos. Sem titubear, Mendez deu uma voadora cinematográfica nas costas de Falcão - que por milagre saiu caminhando. No vestiário, indagado sobre o ocorrido, o atacante cafeteiro respondeu ironicamente: "Na hora pareceu que tinha sido um empurrão. Foi o pontapé mais leve que levei em toda a minha vida. Foi um arranhão".



ROY KEANE EM ALF ING HALAND

Continuando com a saga: Dente por dente, olho por olho..."Esperei muito tempo.Segura essa, bastardo, eu disse.E nunca mais diga que eu estou simulando ou fazendo cera". Assim, Roy Keane desabafou em sua auto-biografia ao relembrar da mais famosa entrada da história da Premier League. A rixa era antiga. Em 1997, em jogo entre o Manchester United e o Leeds United - Roy Keane em disputa com Haland - torceu o joelho e ficou fora dos gramados até o fim daquela temporada que consagraria o Arsenal de Arsene Wenger como campeão. Ainda no chão, Roy Keane teve que escutar insultos do zagueiro norueguês, que o acusava de simular a falta. Em 2001, já atuando pelo Manchester City, Haladans foi vitima da vingança do volante irlandês. Com uma entrada mais do que criminosa, Keane fraturou a perna de Haladans,e assim, abreviou a carreira do zagueiro da seleção norueguesa.



MARCIO NUNES EM ZICO

Certamente a entrada mais famosa do futebol brasileiro foi a de Marcio Nunes em Zico. O galinho de Quintino, em seu retorno ao Flamengo – em 1985 após passagem pela Udinese - tinha como objetivo evitar o tricampeonato carioca do Fluminense. Logo na segunda rodada, o rubro-negro tinha pela frente o Bangu, então vice-campeão brasileiro. O jogo seguia empatado em zero, quando Zico arrancou pelo meio campo, deixando Jair e Israel pelo caminho, até que surgiu Marcio Nunes voando com os dois pés em seu joelho direito. O resultado foi trágico: torção no joelho esquerdo e no joelho direito, pancada no perônio direito, entorse nos tornozelos e outras escoriações pelo corpo. Após o jogo, Marcio Nunes afirmou: "O choque foi forte...mas de frente. O zico armou o bote e eu procurei me defender.Se não fosse o Zico, acredito que ninguem estaria falando mais nisso". O certo mesmo é que Zico nunca mais seria o mesmo. Chegou ao mundial do México, em 1986, no sacrifício, onde acabaria sendo castigado pelos deuses do futebol com o erro na cobrança de penalti nas quartas de final frente aos franceses. Marcio Nunes, que um ano após o ocorrido mandou uma carta ao camisa 10 da Gávea se desculpando, encerrou a carreira precocemente, pois por essas ironias do destino, tomou um carrinho do vascaíno Fernando em 1988 e aos 25 anos foi aposentando por invalidez.

19 de dezembro de 2010

O Brasil e os fracassos no Mundial de Clubes


Fazer feio no Mundial Interclubes não é novidade para os brasileiros, que tiveram alguns clubes virem o 'Projeto Tóquio' naufragar
Por Jeferson Augusto (@jefaugusto)

Você já conhece a cena. Tá lá você assistindo à Rede Vida e o Penápolis se engalfinhando em um disputado mata-mata da A-3 Paulista. Não demora muito para o câmera focalizar um cidadão envergando um cartaz manuscrito 'Rumo a
Tóquio' (mesmo quando a disputa internacional migrou para Yokohama o slogan foi usado fartamente pelos torcedores, que quando perceberam a mudança e passaram a grafar a outra cidade japonesa, a decisão tinha ido pra Abu Dabi; agora, quando já aparecem os primeiros fantasiados de sheikes na Copa do Brasil, o torneio volta para o Japão). Há a vertente do mesmo fato quando a Band passa o jogo de volta entre Sousa da Paraíba e Botafogo do Rio, pela Copa do Brasil, com a diferença de que quem levanta o cartaz é um torcedor alvinegro. Ser campeão mundial de clubes virou obsessão de todo time brasileiro. Do seu time de pelada do fim de semana ao Corinthians (brincadeirinha).
Nos últimos 30 anos a participação brasileira no Mundial de Clubes, a última etapa do tal 'Projeto Tóquio' (que virou 'Projeto Yokohama', 'Projeto Abu Dhabi'...), é verdade, já foi motivo de algumas glórias épicas, mas também representa muitos micos, fiascos e fracassos. Ou seja, ao parar na lenda Kidiaba e fracassar no Mundial o Inter não promoveu nenhum feito inédito pro Brasil.

Por uma questão de memória/paciência e critérios obscuros, deixemos de lado a derrota do Cruzeiro em 76, quando o Mundial era jogado em dois jogos, na Europa e na América do Sul (formato, que convenhamos, era bem mais legal) e abordemos as derrotas amarguradas apenas quando o Mundial de Clubes passou a ser tratada por Copa Toyota (ou 'Copa Carro', como alguns pejorativamente apelidaram o torneio).

O tal Projeto Tóqui
o se tornou sonho em algum momento entre as décadas de 80 e 90. Até então, um Carioquinha ali, um Paulistinha aqui, e se de lambuja viesse um Brasileiro, já significava soberania. Quem começou essa mudança de conceito foi o Flamengo, em 1981, que depois de copar a Libertadores, atropelou o Liverpool por 3 a 0, consagrando quase metade da Geração Voa Canarinho Voa, que um ano mais tarde seria alvo da cetra de Paolo Rossi.Em 1983 foi a vez do Grêmio se tornar mito com aquela que é talvez a melhor formação de quadrilha do futebol mundial de todos os tempos - ou você ousaria encarar Mário Sérgio, Renato Gaúcho, Paulo César Caju e de brinde o Hugo de León com a cara esfolada na capa da Placar? - , sob o comando de Valdir Atahualpa Espinosa. Os gaudérios encararam o Hamburgo, da Alemanha, e venceram por 2 a 1, com dois gols de Renato Portaluppi.

Depois, o Brasil passou em branco praticamente dez anos na América e sem nenhum time por os pés no Japão. Na década de 90, o Brasil passou a dar mais importância para as conquistas internacionais, muito por conta do bicampeonato do São Paulo em 92/93. E aí se seguiu uma sequência incrível de fiascos em terras japonesas por parte dos brasileiros.

1995- Grêmio 0 x 0 Ajax (3x4 nos pênaltis)
Depois do São Paulo de Telê em 92/93, o Brasil voltou a Tóquio em 1995, desta vez, com o mítico Grêmio pondo sua imortalidade à prova. Era o Felipão no banco, um maluco e posteriormente dublê de DJ (precursor de uma moda entre sub-celebridades) no gol (Danrlei), uma dupla de açougueiros na zaga (Adílson, que depois adotou o Batista, e o paraguaio Rivarola), resguardada por Dinho carniceiro (o mesmo que jogou a Copa Toyota com o São Paulo), Arce (outro paraguaio) na lateral e o maior casal 20 dos anos 90 no futebol: Jardel e Paulo Nunes. A meiuca tinha duas promessas nunca cumpridas do futebol brasileiro: Carlos Miguel e Arílson. Sendo que o primeiro ficou conhecido por sua dificuldade em se manter no peso e o segundo por duas grandes passagens pela seleção brasileira. A primeira, quando entrou em um amistoso contra a Argentina e foi expulso minutos depois. E a outra ainda mais sensacional: convocado para a
seleção pré-olímpica e entediado com as preleções de Zagallo, o meia gaúcho não pensou duas
vezes e fugiu da concentração pra disputar uma pelada.

Mas do outro lado havia o Ajax, com Van der Sar, irmãos De Boer, Davids, Kluivert, Overmars. Litmanen, o picareta Finidi e o mascarado Van Gaal como técnico. Os gaudérios até que conseguiram segurar a onda da base da seleção holandesa, até mesmo após Rivarola ser expulso. A derrota só veio nos pênaltis, por 4 a 3. Registre-se que nesse ano o jogo em Tóquio aconteceu à noite em horário local, de manhã no Brasil, numa quarta-feira, o que representou a perda da metade da graça que envolvia o jogo.

1997- Cruzeiro 0 x 2 Borussia Dortmund
Em 1997, pode-se dizer que aconteceu a primeira versão genuína de um 'Projeto Tóquio'. O Cruzeiro assumiu que a prioridade era conquistar pela primeira vez um título mundial, se preparou exclusivamente para o jogo, deixou o Brasileiro de lado (e quase caiu por isso), e mais, chegou a fazer contratações
específicas para levar ao Japão. E como um autêntico Projeto Tóquio brasileiro, o resultado foi um fiasco.
Pra começar o time do Cruzeiro já não era lá grandes coisas. É verdade que tinha Dida e João Carlos, que mais tarde seriam campeões com o Corinthians, mas com Vítor (bicampeão mundial pelo São Paulo e uma espécie de Forrest Gump do futebol nacional daquela década), Elivelton (outro ex-são-paulino de 92), os brucutus Ricardinho e Cleisson, além do enganador peruano Palacios. Só sendo muito cruzeirense pra acreditar que dava pra levar com um time desses. Ciente dessa fragilidade do elenco, os mineiros resolveram contratar, e aí conseguiram piorar o que já era ruim. Quem, em sã consciência contrataria quatro jogadores – a peso de ouro – para um jogo só, quando estes reforços se tratariam de Gonçalves, Alberto, Donizete Pantera e Bebeto? Sério, Gonçalves, zagueirão botafoguense, até chegou a jogar uma
Copa do Mundo, mas isso não dá pra ser considerado se a seleção era a de 1998, o técnico Zagallo, o titular Junior Baiano e seu colega de concentração o Zé Carlos. Alberto foi o precursor de uma especialidade do Atlético-PR: a de criar falsos laterais talentosos (depois veio o Alessandro, hoje Botafogo; e o mais recente fruto é Nei, que traz boas lembranças ao Mazembe). Já Donizete Pantera e Bebeto dispensam comentários.

O Borussia, para ser bem sincero, não me traz recordações de ser um time lá muito brilhante, cujo craque era um suíço (talvez tenha sido esse o raciocínio dos cruzeirenses: se um suíço pode resolver pra eles, por quê um combo botafoguense não faria isso pra nós?), o Chapuisat. Nos 90 minutos no Olímpico de Tóquio o Cruzeiro foi um arremedo de time e os alemães venceram por 2 a 0, decretando o fim do sonho azul.

1998- Vasco 1 x 2 Real Madrid
No ano seguinte, o Projeto Tóquio ganhou ainda mais importância por parte dos brasileiros. Por se tratar do ano em que comemorava seu centenário, um título mundial coroaria um ano perfeito para o Vasco, e de quebra igualaria as conquistas internacionais de seu maior rival. O time que tem o nome do heroico português repetiu a tática de priorizar o Mundial e deixar o Brasileiro de lado, e chegou a fazer uma 'aclimatação' de mais de dez dias no Japão.

Tem que se admitir que o Delegado Lopes, e sua indefectível camisa verde e calça bege, tinha um bom time em mãos. Carlos Germano era um goleiro ‘não fede nem cheira’ (não fechava o gol, mas também não entregava a rapadura); Mauro Galvão, um xerifão; Vágner foi um promissor lateral/ponta direita digno da escola Válber 'cartão vermelho em véspera de carnaval', inclusive nas proporções talento/confusão; Felipe sempre se deu bem no futebol do Rio (e só lá); Luizão era goleador e até Donizete Pantera se destacou naquele ano. A cereja do bolo era Juninho Pernambucano, o maestro da Colina. Em compensação, o elenco tinha o volante espacial Nasa, o zagueiro com nome de música de Roberto Carlos, Odvan, e adivinhem quem na reserva da lateral-direita? Ele mesmo, Vítor, o nosso Forrest Gump.

Do outro lado tinha o Real Madrid, com Roberto Carlos, Hierro, Sávio, o chorãozinho da Gávea, Mijatovic e Raúl. O maior goleador Merengue em Champions League, inclusive, fez o gol do título espanhol. Está na memória de muitos a imagem do camisa 7 madrilenho driblando meio mundo vascaíno e, como humilhação final, deixando o Odvan sentado antes de acabar com a versão Eurico Miranda de Projeto Tóquio.

1999- Palmeiras 0 x 1 Manchester United
Se um ano antes o Projeto Tóquio significava o auge do centenário vascaíno, para o Palmeiras ser campeão do mundo em 99 era fechar com chave de ouro algo iniciado anos antes, a Era Parmalat, onde a leiteria assumiu o Palestra Itália no início dos anos 90.

De novo, Felipão colocava
um time no Japão para tentar ser campeão mundial, e se em 1995 o time do Grêmio não primava pelo talento, dessa vez ele tinha pelo menos um jogador com capacidade de fazer a diferença, Alex cabeção (não vale falar que tinha dois, já que o Zinho fazia companhia a ele no meio). De resto, a aposta era no Felipão way of play mesmo: muito pontapé, correria e bola na área. A defesa era no mínimo de alta periculosidade, com os júniors baianos Roque Junior e o original; davam o resguardo César Sampaio e Galeano, que ninguém sabe ao certo o porquê dele estar ali. Arce e Paulo Nunes tinham a missão de abastecer a grande área, que no dia da Mundial tinha o colombiano Asprilla como titular (alguém tem uma explicação lógica pra se apostar nele?), mas que caso precisasse, tinha na reserva Oséas, o Ozéinha da Bahia, versão mais encorpada e de tranças do Jardel (analisando agora, Felipão montou praticamente uma república baiana no Parque Antarctica. Com Oséas, contabilizei pelo menos quatro jogadores da Boa Terra, tanto que um dos momentos mais notáveis daquele ano foi uma matéria sobre uma pelada entre Palmeiras e Chiclete com Banana, com os palmeirenses, incluindo Felipão, vestindo um abadá com uma flor gigante estampada no peito, possivelmente símbolo do CD lançado pelos baianos na época).

Já o lado europeu era represen
tado pelo Manchester United, com David Beckham (“ele não é tudo isso não”, na opinião de Galvão Bueno, na época), Scholes, Giggs, Roy Keane e Gary Neville. No lance que definiu a partida, Giggs cruzou, Marcão, talvez o grande herói daquele time depois de pegar os pênaltis na Libertadores, caçou borboleta, e Keane botou pra dentro. Vendo a ficha técnica daquele jogo, constata-se que Euller, o filho do vento, entrou no fim do jogo, a importância histórica disso é nula, mas serve para lembrar os palmeirenses que o costume de Felipão em apostar em jogadores não muito talentosos não começou com o Luan.
Portanto, colorados não tem que se envergonhar pelo papelão em Abu Dabi. A diferença é que os colorados só conseguiram ser piores (adaptando o lema riograndense de 'gaúcho melhor em tudo') do que Palmeiras, Cruzeiro Vasco e Grêmio.