15 de fevereiro de 2011

O LINEAR DO SONHO TUPINIQUIM E OUTRAS MUMUNHAS...


Por Marcelo Mendez

Toda segunda feira é um dia diferente para quem trabalha com futebol no Brasil. Geralmente marca o pós day da rodada do domingo e aos bons olhos da crônica, como dizia Julio Cortazar sobre a torcida do Boca Juniors na arquibancada da Bombonera; “Em cada boca se reza uma oração; Em cada coração se faz um santo; Em cada gol a redenção do povo que sofre...” São várias as histórias que os estadios nos contam a cada a semana. Só não vê quem faz questão absoluta e ululante de ser cego. Ou idiota mesmo...

Mesmo com partidas hediondas jogadas por Corinthians 0x0 Paulista e Palmeiras 1x0 Americana, com tudo que pode haver mais burocrático no Santos 2x0 Noroeste. Ainda que a torcida da lusa tenha protagonizado a cena mais triste após a derrota para o São Paulo por 3x2... Ainda assim caro leitor, a riqueza que rege o entorno de uma partida de futebol renderia ótimas cronicas desses jogos. Mas aqui o futebol é visto de outro jeito como dizem meus amigos editores Vinicius Alves e Claudio cox e faço gosto em seguir o slogam. A cronica hoje vem de fora do campo e nem poderia ser outra; Ronaldo não jogará mais futebol.



Andei pensando; Nos anos 50, os americanos do pós guerra chamaram sua over de consumo de “american way life”. Comprar carrão , fumar cigarro “tal”, casar com uma loira peituda, comprar uma casa no subúrbio... Era o tal jeito americano de viver. Isso foi protagonizado à risca por jogadores de Beisebol, de basquete e de futebol americano. Assim que assinavam um contrato, compravam um Cadlilac e ganhavam uma dessas casas nos novos subúrbios de lá. Pensei num paralelo conosco e com nosso futebol aqui mas não há por uma simples razão;Nossos sonhos não tem grife.


Não há glamour num moleque semi alfabetizado, privado de educação, saúde e de qualquer outro compromisso do poder público, que de uma hora pra outra, pensa em jogar futebol para no máximo, comprar uma casa sem goteira para a mãe, um carrinho pra deixar de pegar ónibus e quem sabe, algo perto da praia. Não tem nada de edificante na trajetória desse rapaz...


Ele do nada, começará a aparecer na televisão. Cobrarão dele um esmero maior no uso do vernáculo, dirão que “jogador de futebol não pensa”, que são óbvios demais e claro que até certo ponto terão razão. Eu mesmo, digo com fundamento uma série de vezes. Mas será que o futebol precisa tanto disso, digo; Será que é tão fundamental ter razão assim?


Essa “razão” leva em consideração todo o histórico da vida desse moleque? Como ler André Gide, quando a maior necessidade da vida da pessoa é descolar uma grana pra comprar um pacote de arroz? Da pra ser “edificante” de barriga vazia e sem ter onde morar? Claro que isso é uma merda mas essa é a realidade do país onde vivemos.


Os poucos moleques que encontram a saída no futebol tem urgência! Precisam aproveitar os 10, 15 anos de carreira pra ganhar algo para viver por toda a vida. Urge, a vontade de aproveitar os holofotes, as mulheres e tudo que todo sujeito sonha em ter na vida. Alguns, por toda a vida, o jogador de futebol, apenas por 10 ou 15 anos. E ainda tem que ser “Culto” pra agradar a classe média. Nessa segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 vivemos um o ocaso de uma dessas vidas.


Ronaldo Nazario de Lima, era um moleque franzino, muito pobre que começou a dar seus chutes em Bento Ribeiro, subúrbio do subúrbio do Rio De Janeiro, no futsal do Social Ramos e depois no São Cristovão. Alí, o sonho era garantir uma cesta basica para sua mãe, empregada domestica que o sustentava. Não demorou muito o Cruzeiro de belo horizone o encontrou e daí se fez o mito.Foi grande na Holanda com a camisa do PSV Eindhoven. Fez magica nas tardes noite da catalunha vestindo a camisa 9 do Barcelona. De lá foi artilheiro da Inter de Milão, Real Madrid e seleção Brasileira. Com a amarelinha fez história...


Ronaldo ressurgiu de suas contusões dezenas de vezes. Em muitas para se aproximar da lenda, como fez em 2002. Após uma ruptura de ligamento patelar do joelho, dado como inutilizado por todo mundo, ele volta e vai para a copa da Asia para sair dela, com o titulo de campeão do mundo, artilheiro da copa e melhor jogador do universo. Daí veio o estrelato.


Claro que Ronaldo deitou e rolou! Teve todas as mulheres que quis, frequentou todos os lugares que jamais imaginou, foi endeusado como seus feitos assim cobravam de nós mortais e em algum momento, perdeu o foco LINDAMENTE de sua carreira. E daí?? Porque no caso de um jogador de futebol, o comportamento ilibado é cobrado tanto pela sociedade? A mesma sociedade cobra isso do politico safado? Do vereador ladrão? Bom isso é pra outra cronica em outro momento...


Ronaldo jamais deixou de ser digno em toda sua vida. Tanto como jogador, quanto como cidadão, Ronaldo teve a altura dos gigantes da história. E no dia de sua despedida, não fugiu disso. Chamou uma coletiva para dizer que as dores de seu corpo venceram o jogador. Disse que ficará mais com a familia e que seguirá de perto com o futebol porque não conseguirá se afastar de um todo. Chorou e fez chorar.Acabou.


Nessa sociedade destruidora, ávida por imediatismos, sei que no primeiro momento Ronaldo não será enaltecido como ele merece. O maior artilheiro da história das copas, um dos maiores jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos, tudo bem; O distanciamento histórico se encarregará de dar a Ronaldo esses méritos reconhecidos, e acho que tanto ele quanto eu, não temos pressa.


O que fica, é o termino de uma carreira gloriosa, linda de vitórias e superação. Eu não tenho mais nada para dizer no momento e encerro a coluna fazendo jus a esse momento histórico dizendo a única coisa que um amante de futebol pode dizer numa hora dessas:


Obrigado e bom descanso, Ronaldo!


24 de janeiro de 2011

MANIFESTO DA TRIVELA; A HORA E A VEZ DOS MENINOS TIRAREM AS CHUTEIRAS

Marcelo Mendez

Sabado a tarde é dia de carimbó no garajão da casa de meu amigo Marcio na rua tanger. A tia do amigo, Dona Nêga, bota o Pinduca pra tocar, o povo dança e a gente coloca a prosa em dia no Parque Novo Oratório. E o tema favorito, obviamente é o futebol..

La pelas tantas, Seu Honório falava da qualidade do futebol do seu Corinthians no que Laércio, corinthiano doente, justificou:“Ah mas precisa ganhar os pontos, não da pra enfeitar, nem brincar. Futebol é coisa séria...”Bom, então ta explicado porque o futebol dos clubes grandes de São Paulo é tão chato no Campeonato Paulista.

Amigo leitor que tem problemas de insonia, que faz uso de recursos químicos para embalar os sonhos pode ficar tranquilo. Nem o lexotan é mais eficaz para o sono, do que os “sérios” times do São Paulo, Palmeiras, Corinthians. O São Paulo tinha tudo para ter um fim de tarde de sábado feliz. Além do grande jogador Rivaldo, anunciado como grande reforço para a temporada, seu capitão e goleiro histórico, Rogério Ceni, caminha firme para os 1000 jogos com a camisa tricolor e, rumo aos 100 gols como goleiro! Além disso comemorava seu aniversário e tudo previa que no morumbi, teríamos uma tarde de gala. Mas acontece que a coisa tem que ser séria...

De maneira então... “séria”, Carpegiani escalou seu time com a maldição dos três volantes, Carlinhos Paraiba, Cleber Santana, Rodrigo Souto. Não teria problema algum, se um desses, saísse para o jogo, ajudando o meia Marlos a abastecer Fernandinho e Dagoberto a frente. Sem essa ligação, os atacantes ficavam a frente sozinhos, clamando para que algum dos marcadores da Ponte Preta, não fossem tão “sérios” e uma bolinha sobrasse. Ao contrário; sobrou uma, que rogerio ceni soltou na cabeça de thiago luiz. Final de baile:Ponte Preta 1 x0 São Paulo.

O Palmeiras então não vale a lauda. Na base da trombada, uma bola “achada” no final do jogo decretou o enganoso 1x0 pra meu verde, diante do Oeste em Itapolis. Mas e o Corinthians do meu vizinho Seu Honório? Pois é...Vivemos uma era onde a fantasia é quase um crime lesa-pátria! Nesses tempos pragmáticos, até a memória é deixada de lado em prol da dita seriedade. O Corinthians segue essa máxima à risca. Ninguém no Parque São jorge ta preocupado em saber os numeros de equipes como Boca juniors e Independiente, autenticos papões de titulos sulamericanos na tão sonhada competição. Passa longe do empolado Tite, que uma Libertadores pode ser encarada com leveza e qualidade. Oras amigos...Imaginem o melhor time do mundo, o Barcelona, sem as brincadeiras de Messi, Xavi e Iniesta? E isso não é produtivo? Vejamos; O Barça venceu TODOS os titulos de 2009/2010, teve tres jogadores concorrendo aos titulo de melhor do mundo, mais o técnico! E olha que o Josep Guardiola não lê livro de auto- ajuda, hein Tite?!?

No time do Parque São Jorge, os meninos não podem mais brincar. São cobrados para encarar uma reles partida contra um remendado Nororeste de Bauru, pelo Campeonato Paulista, como a batalha pela retomada de Constantinopla! É tudo duro, sem graça, sem alegria... O gol que abre o placar feito por Dentinho, vem de maneira sofrida, suada, de canela! Amigo leitor, de canela!! E ainda desviou no zagueiro pra matar o pobre goleiro do interior. Aí sim, diriam os pragamatas, “com seriedade, 1x0 no placar”. E sem nenhuma cerimonia, o grande Corinthians recuou estupidamente para segurar esse resultado e claro... Foi castigado.

Após Roberto Carlos tropeçar na bola, o nororeste arrancou para o contra ataque. E nas costas do péssimo lateral moacir, num tiro cruzado, empatou o jogo. Resultado que seria normal. Afinal de contas, num campeonato de 20 clubes, dos quais 8 se classificam, qual o problema de empatar um jogo desses na terceira rodada?? Mas aí que tá; Não há leveza nas relações do futebol atual.

Tite gostaria de chegar na coletiva e dizer isso que vos digo. Que esse resultado é perfeitamente recuperável e que isso não é problema nem de longe para quem tem uma fase classificatória complicada pra ser jogada. E porque não diz também? Willian Blake escreveu uma vez no seu Casamento do Céu com Inferno, que “Aqueles que reprimem o desejo assim o fazem porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser reprimido”. Tite, que outrora fôra um técnico inovador, de idéias arejadas e lúcidas, hoje é apenas mais um burocrata da bola, enchendo o seu time de voltantes e alas, em busca de nada de encanto. Se contenta com “tres pontos”.

Enfretará o Deportes Tolima na quarta-feira, sobre os estgma do “jogo da vida”. A vida é triste demais aos que resumem ela à “um jogo da vida”. Assistirei isso por puro dever de oficio. Mas confesso aos amigos leitores que ficarei imensamente feliz se um moleque abusado contrariar essa lógica da seriedade tola. É como o samba...

Deixa o menino brincar, Tite...

12 de janeiro de 2011

TOP 5: AS ENTRADAS QUE MARCARAM ÉPOCA


Joelhada na nuca, carrinho frontal, tesoura por trás, voadora nas costas e solada no joelho. O repertório é vasto e, para deleite dos amantes do jogo bruto, preparamos um top 5 com as entradas mais violentas da história dos campeonatos: brasileiro, inglês, argentino e espanhol.

A Copa de 2010 levou ao delírio os não-adeptos do Fair Play. A voadora no peito que Xabi Alonso recebeu de Nigel de Jong serviu como emblema para o torrneio que ficaria marcado por retrancas ferrenhas e truculência desmedida - que o digam Felipe Melo, Van Bommel e Pepe. No entanto, nada se compara a joelhada do goleiro alemão, Toni Schumacher, na nuca do francês Patrick Battiston. A semifinal do mundial de 82 se encaminhava para a prorrogação, quando Michel Platini enfiou um passe milimétrico para que Battiston, que acabara de entrar, ficasse cara a cara com Schumacher. No entanto, o único que o defensor francês encontrou pela frente, foi o joelho do goleiro alemão em sua nuca. Resultado: três vertebras quebradas, além da perda de três dentes. Schumacher fez como se nada tivesse ocorrido. Battiston ficou desacordado, enquanto o arbitro holandês, Cover, aguardava para reiniciar a partida sem ao menos dar a penalidade ou um eventual cartão. Após empate de 3 a 3 na prorrogação, a Alemanha Ocidental bateu a França por 5 a 4 nas penalidades - com duas cobranças defendidas por Schumacher - classificando-se para a final, onde seria derrotada pela Itália de Dino Zoff e Paolo Rossi.



ANDONI GOIKOETXEA EM DIEGO MARADONA

Qualquer documentário sobre Maradona emite a imagem da brutal entrada de Andoni Goikoetxea no tornozelo esquerdo, do entao, maior jogador do planeta. Mais do que deixar Maradona por três meses e meio fora de ação, o zagueiro do Athletic de Bilbao, decretou uma guerra que marcou o futebol espanhol na decada de 80 entre o clube basco e o F.C Barcelona. Javier Clemente, que era o treinador do Athletic de Bilbao, afirmou: "Ellos no tienen nuestra raza.Están hecho de una pasta diferente". Dois anos antes, o mesmo Goikoetxea havia arrebentado os ligamentos do joelho direito do também blaugrana, Bernd Schuster, e a vingança culé viria na final da Copa do Rei da temporada 83/84. Em pleno Santiago Bernabeu, e com a presença do Rei Juan Carlos, o Athletic de Bilbão venceu o Barcelona por 1 a 0, com gol de Endika. Finalizado o encontro, Maradona cobrou sua vingança partindo para cima de Goikoetxea e dos demais jogadores do time basco. O resultado foi uma batalha campal, que culminou com jogadores e até jornalistas feridos. A Federação espanhola sancionou três meses de suspensÃo a Maradona, Goikoetxea e outros quatro jogadores. A sanção abreviou a passagem de Maradona pela Espanha, pois após desentendimento com a diretoria do Barcelona, Dieguito rumou para Nápoles, onde faria história.



SEBASTIÁN MENDEZ EM RADAMEL FALCAO

No dia 8 de Maio de 2008, presenciamos o jogo que melhor representa a Copa Libertadores:Pontapés, cotovelas, bate boca e um final comovedor marcariam aquele River e San Lorenzo válido pelas oitavas de final. Os azulgranas, com nove jogadores, e com um 0 a 2 no placar, foram buscar um empate heróico em pleno Monumental de Nuñez. Os dois gols de Gonzalo Bergessio, levaram o conjunto de Boedo para as quartas de final da Copa Libertadores. Durante o jogo, o atacante colombiano, Radamel Falcao - atualmente no Porto - esquentou o confronto, após um carrinho desqualificador no zagueiro Sebastián Mendez. O River vencia por 1 a 0, quando Falcao deu uma tesoura que ocasionou uma microfratura no joelho direito de Mendez. O calvo defensor sabendo da gravidade da lesão - que o deixou 1 mês e meio parado - partiu para cima do colombiano, onde foi possivel escutar em bom castelhano: "Hijo de mil putas". No segundo tempo, o zagueiro Jonathan Bottinelli reividou da pior forma: dentro da área, deu uma cotovelada na cara de Falcão. O penalti convertido por Loco Abreu deu a impressão que o confronto havia acabado. Ledo engano. Três meses se passaram, até que as duas equipes voltaram a se encontrar pela quarta rodada do torneio Apertura. O jogo que acabou em um empate sem gols, ficaria marcado por constantes entradas desleais e uma verdadeira caça a Radamel Falcão. Eis que aos 47 minutos do segundo tempo, Ojeda cobrou um tiro de meta, e a bola veio justo em direção aos eternos inimigos. Sem titubear, Mendez deu uma voadora cinematográfica nas costas de Falcão - que por milagre saiu caminhando. No vestiário, indagado sobre o ocorrido, o atacante cafeteiro respondeu ironicamente: "Na hora pareceu que tinha sido um empurrão. Foi o pontapé mais leve que levei em toda a minha vida. Foi um arranhão".



ROY KEANE EM ALF ING HALAND

Continuando com a saga: Dente por dente, olho por olho..."Esperei muito tempo.Segura essa, bastardo, eu disse.E nunca mais diga que eu estou simulando ou fazendo cera". Assim, Roy Keane desabafou em sua auto-biografia ao relembrar da mais famosa entrada da história da Premier League. A rixa era antiga. Em 1997, em jogo entre o Manchester United e o Leeds United - Roy Keane em disputa com Haland - torceu o joelho e ficou fora dos gramados até o fim daquela temporada que consagraria o Arsenal de Arsene Wenger como campeão. Ainda no chão, Roy Keane teve que escutar insultos do zagueiro norueguês, que o acusava de simular a falta. Em 2001, já atuando pelo Manchester City, Haladans foi vitima da vingança do volante irlandês. Com uma entrada mais do que criminosa, Keane fraturou a perna de Haladans,e assim, abreviou a carreira do zagueiro da seleção norueguesa.



MARCIO NUNES EM ZICO

Certamente a entrada mais famosa do futebol brasileiro foi a de Marcio Nunes em Zico. O galinho de Quintino, em seu retorno ao Flamengo – em 1985 após passagem pela Udinese - tinha como objetivo evitar o tricampeonato carioca do Fluminense. Logo na segunda rodada, o rubro-negro tinha pela frente o Bangu, então vice-campeão brasileiro. O jogo seguia empatado em zero, quando Zico arrancou pelo meio campo, deixando Jair e Israel pelo caminho, até que surgiu Marcio Nunes voando com os dois pés em seu joelho direito. O resultado foi trágico: torção no joelho esquerdo e no joelho direito, pancada no perônio direito, entorse nos tornozelos e outras escoriações pelo corpo. Após o jogo, Marcio Nunes afirmou: "O choque foi forte...mas de frente. O zico armou o bote e eu procurei me defender.Se não fosse o Zico, acredito que ninguem estaria falando mais nisso". O certo mesmo é que Zico nunca mais seria o mesmo. Chegou ao mundial do México, em 1986, no sacrifício, onde acabaria sendo castigado pelos deuses do futebol com o erro na cobrança de penalti nas quartas de final frente aos franceses. Marcio Nunes, que um ano após o ocorrido mandou uma carta ao camisa 10 da Gávea se desculpando, encerrou a carreira precocemente, pois por essas ironias do destino, tomou um carrinho do vascaíno Fernando em 1988 e aos 25 anos foi aposentando por invalidez.

19 de dezembro de 2010

O Brasil e os fracassos no Mundial de Clubes


Fazer feio no Mundial Interclubes não é novidade para os brasileiros, que tiveram alguns clubes virem o 'Projeto Tóquio' naufragar
Por Jeferson Augusto (@jefaugusto)

Você já conhece a cena. Tá lá você assistindo à Rede Vida e o Penápolis se engalfinhando em um disputado mata-mata da A-3 Paulista. Não demora muito para o câmera focalizar um cidadão envergando um cartaz manuscrito 'Rumo a
Tóquio' (mesmo quando a disputa internacional migrou para Yokohama o slogan foi usado fartamente pelos torcedores, que quando perceberam a mudança e passaram a grafar a outra cidade japonesa, a decisão tinha ido pra Abu Dabi; agora, quando já aparecem os primeiros fantasiados de sheikes na Copa do Brasil, o torneio volta para o Japão). Há a vertente do mesmo fato quando a Band passa o jogo de volta entre Sousa da Paraíba e Botafogo do Rio, pela Copa do Brasil, com a diferença de que quem levanta o cartaz é um torcedor alvinegro. Ser campeão mundial de clubes virou obsessão de todo time brasileiro. Do seu time de pelada do fim de semana ao Corinthians (brincadeirinha).
Nos últimos 30 anos a participação brasileira no Mundial de Clubes, a última etapa do tal 'Projeto Tóquio' (que virou 'Projeto Yokohama', 'Projeto Abu Dhabi'...), é verdade, já foi motivo de algumas glórias épicas, mas também representa muitos micos, fiascos e fracassos. Ou seja, ao parar na lenda Kidiaba e fracassar no Mundial o Inter não promoveu nenhum feito inédito pro Brasil.

Por uma questão de memória/paciência e critérios obscuros, deixemos de lado a derrota do Cruzeiro em 76, quando o Mundial era jogado em dois jogos, na Europa e na América do Sul (formato, que convenhamos, era bem mais legal) e abordemos as derrotas amarguradas apenas quando o Mundial de Clubes passou a ser tratada por Copa Toyota (ou 'Copa Carro', como alguns pejorativamente apelidaram o torneio).

O tal Projeto Tóqui
o se tornou sonho em algum momento entre as décadas de 80 e 90. Até então, um Carioquinha ali, um Paulistinha aqui, e se de lambuja viesse um Brasileiro, já significava soberania. Quem começou essa mudança de conceito foi o Flamengo, em 1981, que depois de copar a Libertadores, atropelou o Liverpool por 3 a 0, consagrando quase metade da Geração Voa Canarinho Voa, que um ano mais tarde seria alvo da cetra de Paolo Rossi.Em 1983 foi a vez do Grêmio se tornar mito com aquela que é talvez a melhor formação de quadrilha do futebol mundial de todos os tempos - ou você ousaria encarar Mário Sérgio, Renato Gaúcho, Paulo César Caju e de brinde o Hugo de León com a cara esfolada na capa da Placar? - , sob o comando de Valdir Atahualpa Espinosa. Os gaudérios encararam o Hamburgo, da Alemanha, e venceram por 2 a 1, com dois gols de Renato Portaluppi.

Depois, o Brasil passou em branco praticamente dez anos na América e sem nenhum time por os pés no Japão. Na década de 90, o Brasil passou a dar mais importância para as conquistas internacionais, muito por conta do bicampeonato do São Paulo em 92/93. E aí se seguiu uma sequência incrível de fiascos em terras japonesas por parte dos brasileiros.

1995- Grêmio 0 x 0 Ajax (3x4 nos pênaltis)
Depois do São Paulo de Telê em 92/93, o Brasil voltou a Tóquio em 1995, desta vez, com o mítico Grêmio pondo sua imortalidade à prova. Era o Felipão no banco, um maluco e posteriormente dublê de DJ (precursor de uma moda entre sub-celebridades) no gol (Danrlei), uma dupla de açougueiros na zaga (Adílson, que depois adotou o Batista, e o paraguaio Rivarola), resguardada por Dinho carniceiro (o mesmo que jogou a Copa Toyota com o São Paulo), Arce (outro paraguaio) na lateral e o maior casal 20 dos anos 90 no futebol: Jardel e Paulo Nunes. A meiuca tinha duas promessas nunca cumpridas do futebol brasileiro: Carlos Miguel e Arílson. Sendo que o primeiro ficou conhecido por sua dificuldade em se manter no peso e o segundo por duas grandes passagens pela seleção brasileira. A primeira, quando entrou em um amistoso contra a Argentina e foi expulso minutos depois. E a outra ainda mais sensacional: convocado para a
seleção pré-olímpica e entediado com as preleções de Zagallo, o meia gaúcho não pensou duas
vezes e fugiu da concentração pra disputar uma pelada.

Mas do outro lado havia o Ajax, com Van der Sar, irmãos De Boer, Davids, Kluivert, Overmars. Litmanen, o picareta Finidi e o mascarado Van Gaal como técnico. Os gaudérios até que conseguiram segurar a onda da base da seleção holandesa, até mesmo após Rivarola ser expulso. A derrota só veio nos pênaltis, por 4 a 3. Registre-se que nesse ano o jogo em Tóquio aconteceu à noite em horário local, de manhã no Brasil, numa quarta-feira, o que representou a perda da metade da graça que envolvia o jogo.

1997- Cruzeiro 0 x 2 Borussia Dortmund
Em 1997, pode-se dizer que aconteceu a primeira versão genuína de um 'Projeto Tóquio'. O Cruzeiro assumiu que a prioridade era conquistar pela primeira vez um título mundial, se preparou exclusivamente para o jogo, deixou o Brasileiro de lado (e quase caiu por isso), e mais, chegou a fazer contratações
específicas para levar ao Japão. E como um autêntico Projeto Tóquio brasileiro, o resultado foi um fiasco.
Pra começar o time do Cruzeiro já não era lá grandes coisas. É verdade que tinha Dida e João Carlos, que mais tarde seriam campeões com o Corinthians, mas com Vítor (bicampeão mundial pelo São Paulo e uma espécie de Forrest Gump do futebol nacional daquela década), Elivelton (outro ex-são-paulino de 92), os brucutus Ricardinho e Cleisson, além do enganador peruano Palacios. Só sendo muito cruzeirense pra acreditar que dava pra levar com um time desses. Ciente dessa fragilidade do elenco, os mineiros resolveram contratar, e aí conseguiram piorar o que já era ruim. Quem, em sã consciência contrataria quatro jogadores – a peso de ouro – para um jogo só, quando estes reforços se tratariam de Gonçalves, Alberto, Donizete Pantera e Bebeto? Sério, Gonçalves, zagueirão botafoguense, até chegou a jogar uma
Copa do Mundo, mas isso não dá pra ser considerado se a seleção era a de 1998, o técnico Zagallo, o titular Junior Baiano e seu colega de concentração o Zé Carlos. Alberto foi o precursor de uma especialidade do Atlético-PR: a de criar falsos laterais talentosos (depois veio o Alessandro, hoje Botafogo; e o mais recente fruto é Nei, que traz boas lembranças ao Mazembe). Já Donizete Pantera e Bebeto dispensam comentários.

O Borussia, para ser bem sincero, não me traz recordações de ser um time lá muito brilhante, cujo craque era um suíço (talvez tenha sido esse o raciocínio dos cruzeirenses: se um suíço pode resolver pra eles, por quê um combo botafoguense não faria isso pra nós?), o Chapuisat. Nos 90 minutos no Olímpico de Tóquio o Cruzeiro foi um arremedo de time e os alemães venceram por 2 a 0, decretando o fim do sonho azul.

1998- Vasco 1 x 2 Real Madrid
No ano seguinte, o Projeto Tóquio ganhou ainda mais importância por parte dos brasileiros. Por se tratar do ano em que comemorava seu centenário, um título mundial coroaria um ano perfeito para o Vasco, e de quebra igualaria as conquistas internacionais de seu maior rival. O time que tem o nome do heroico português repetiu a tática de priorizar o Mundial e deixar o Brasileiro de lado, e chegou a fazer uma 'aclimatação' de mais de dez dias no Japão.

Tem que se admitir que o Delegado Lopes, e sua indefectível camisa verde e calça bege, tinha um bom time em mãos. Carlos Germano era um goleiro ‘não fede nem cheira’ (não fechava o gol, mas também não entregava a rapadura); Mauro Galvão, um xerifão; Vágner foi um promissor lateral/ponta direita digno da escola Válber 'cartão vermelho em véspera de carnaval', inclusive nas proporções talento/confusão; Felipe sempre se deu bem no futebol do Rio (e só lá); Luizão era goleador e até Donizete Pantera se destacou naquele ano. A cereja do bolo era Juninho Pernambucano, o maestro da Colina. Em compensação, o elenco tinha o volante espacial Nasa, o zagueiro com nome de música de Roberto Carlos, Odvan, e adivinhem quem na reserva da lateral-direita? Ele mesmo, Vítor, o nosso Forrest Gump.

Do outro lado tinha o Real Madrid, com Roberto Carlos, Hierro, Sávio, o chorãozinho da Gávea, Mijatovic e Raúl. O maior goleador Merengue em Champions League, inclusive, fez o gol do título espanhol. Está na memória de muitos a imagem do camisa 7 madrilenho driblando meio mundo vascaíno e, como humilhação final, deixando o Odvan sentado antes de acabar com a versão Eurico Miranda de Projeto Tóquio.

1999- Palmeiras 0 x 1 Manchester United
Se um ano antes o Projeto Tóquio significava o auge do centenário vascaíno, para o Palmeiras ser campeão do mundo em 99 era fechar com chave de ouro algo iniciado anos antes, a Era Parmalat, onde a leiteria assumiu o Palestra Itália no início dos anos 90.

De novo, Felipão colocava
um time no Japão para tentar ser campeão mundial, e se em 1995 o time do Grêmio não primava pelo talento, dessa vez ele tinha pelo menos um jogador com capacidade de fazer a diferença, Alex cabeção (não vale falar que tinha dois, já que o Zinho fazia companhia a ele no meio). De resto, a aposta era no Felipão way of play mesmo: muito pontapé, correria e bola na área. A defesa era no mínimo de alta periculosidade, com os júniors baianos Roque Junior e o original; davam o resguardo César Sampaio e Galeano, que ninguém sabe ao certo o porquê dele estar ali. Arce e Paulo Nunes tinham a missão de abastecer a grande área, que no dia da Mundial tinha o colombiano Asprilla como titular (alguém tem uma explicação lógica pra se apostar nele?), mas que caso precisasse, tinha na reserva Oséas, o Ozéinha da Bahia, versão mais encorpada e de tranças do Jardel (analisando agora, Felipão montou praticamente uma república baiana no Parque Antarctica. Com Oséas, contabilizei pelo menos quatro jogadores da Boa Terra, tanto que um dos momentos mais notáveis daquele ano foi uma matéria sobre uma pelada entre Palmeiras e Chiclete com Banana, com os palmeirenses, incluindo Felipão, vestindo um abadá com uma flor gigante estampada no peito, possivelmente símbolo do CD lançado pelos baianos na época).

Já o lado europeu era represen
tado pelo Manchester United, com David Beckham (“ele não é tudo isso não”, na opinião de Galvão Bueno, na época), Scholes, Giggs, Roy Keane e Gary Neville. No lance que definiu a partida, Giggs cruzou, Marcão, talvez o grande herói daquele time depois de pegar os pênaltis na Libertadores, caçou borboleta, e Keane botou pra dentro. Vendo a ficha técnica daquele jogo, constata-se que Euller, o filho do vento, entrou no fim do jogo, a importância histórica disso é nula, mas serve para lembrar os palmeirenses que o costume de Felipão em apostar em jogadores não muito talentosos não começou com o Luan.
Portanto, colorados não tem que se envergonhar pelo papelão em Abu Dabi. A diferença é que os colorados só conseguiram ser piores (adaptando o lema riograndense de 'gaúcho melhor em tudo') do que Palmeiras, Cruzeiro Vasco e Grêmio.

14 de dezembro de 2010

O Beatle futeboleiro

A final da FA Cup de 1952 consagrou o Newcastle como campeão. Em uma decisão dramática - decidida a seis minutos do final com um gol de cabeça do chileno Jorge Robledo - os Magpies superavam o Arsenal, conquistando assim o seu 5º título do torneio mais antigo do mundo. A peleja marcou o imaginário do pequeno John Winston Lennon.

Felipe Bigliazzi

Então com 11 anos, John já mostrava aptidão pelas artes e em plena sala de aula do Quarry Bank Grammar School fez um desenho retratando a jogada que decidira a Copa da Inglaterra em favor do Newcastle. Em 1974, John Lennon escolheu aquele singela gravura para fazer parte da capa de seu mais novo álbum, intitulado Walls and Bridges. Era o fim da lenda: Lennon jamais foi fanático, mas era sim um futeboleiro.

São tantas lendas por trás da vida dos demais Beatles que o futebol não poderia ficar de fora. O fato concreto é que George Harrison não dava a mínima ao esporte bretão. O caçula dos Beatles era um amante do automobilismo, tanto que virou amigo pessoal de Emerson Fittipaldi.

O primeiro a dar a cara pra bater foi Paul McCartney. O baixista quebrou o mistério sobre a equipe por qual torcia, quando foi ao estádio de Wembley para presenciar a final da FA Cup de 1968 entre Everton e West Bromwich. Demonstrando ser um grande pé frio, Paul amargou in loco a derrota do conjunto azul de Liverpool - o Everton - por 1 a 0. Segundo pesquisadores
beatlemaníacos, Ringo Starr era fã do Arsenal. Influenciado por seu padrasto - nascido no norte de Londres - o pequeno Richard era constantemente levado a Anfield e ao Goodison Park, quando os Gunners atuavam em Liverpool. Em meio a tanta curiosade, pouco se sabia sobre o interesse de John Lennon pelo futebol, até que chegou 1967.

O empresario dos Beatles, Brian Epstein, teria orientado os reis do iê iê iê a não divulgarem suas predileções clubísticas, a fim de não causar antipatia com as demais torcidas da Inglaterra. Por essas ironias do destino, um mês antes da morte de Epstein - em agosto de 1967, por overdose de tranquilizantes - os Beatles lançavam seu 8º albúm: o magnifico Sgt
. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Na enigmática capa, a banda do Sargento Pimenta posa pomposamente ao lado de personalidades ilustres.

Em meio a figuras como Albert Einstein, Bob Dylan e Marlon Brando, um desconhecido - pelo menos para a maioria dos beatlemaníacos - aparecia com sorriso de Monalisa e topete a la Itamar Franco. O personagem em questão atendia pelo nome de
Albert Stubbins. Não há explicação concreta para a escolha dos homenageados que ficaram eternizados no disco mais famoso dos Besouros. A história mais conhecida é que John Lennon teria sugerido Albert Stubbins por se tratar de um ídolo de seu pai ausente. Stubbins atuou pelo Liverpool FC entre 1946 e 1952, sendo o heroi da conquista dos Reds na temporada 1946/1947, quando o conjunto de Merseyside conquistou o titulo inglês após 24 anos de seca. Porém o lado de Lennon como torcedor do Liverpool viria a ser explicitado apenas no final de 1969.

Em Let it be - último disco lançando pelos Beatles - há outra menção futebolística de Lennon. Na curta e irreverente Dig It, John Lennon cita Matt Busby: "Like a Rolling Stone. Like the FBA and CIA. And the BBC . BB King and Doris Day. Matt Busby...".
O vitorioso treinador do Manchester United - principal rival do Liverpool - era homenageado de forma, no mínimo, irônica. Busby é o personagem transcendental na vida dos Red Devils. Antes de sua chegada, em 1946, o Man U tinha status de clube médio na Inglaterra, já que não conquistavam um titulo de expressão desde 1911. O conjunto vermelho de Manchester sairia da fila sob seu comando com a conquista do Campeonato Inglês de 1952 - o 1º dos cinco titulos nacionais do United sob direção de Busby.

Após sobreviver a tragédia de Munique, quando o avião que voltava de Belgrado - depois da classificação para final da Copa dos Campeões da Europa de 1958 - se chocou contra uma casa desabitada matando oito jogadores do elenco, Busby ficou gravamente ferido e teve que remontar aquela talentosa equipe.

Apenas em 1968 Busby teria seu ano de gloria e revanche contra o trágico destino que o abateu. Comandou magistralmente o Manchester United rumo a conquista da Copa dos Campeões da Europa daquela temporada. Os “Busby Babes” bateram o poderoso Benfica de Eusébio e cia. na final da principal competição europeia. Naquele brilhante esquadrão - que ainda contava com Bobby Charlton e Denis Law - um jovem e irreverente norte-irlandês se trasvestiu de heroi: o habilidoso George Best. Por seu corte de cabelo - semelhante ao da maioria dos rockstars britânicos dos anos 60 - e por seu comportamento arredio, ganhou o apelido de "O quinto Beatle".

No Mundial de 1966, o Brasil mandou seus três jogos da 1ª fase no campo do Everton - Goodison Park - em Liverpool. A envelhecida seleção nacional deu vexame na terra da rainha, deixando a competição prematuramente com derrotas para Hungria e Portugal. Já nos anos 70, quando Pelé foi a Nova York defender o glorioso Cosmos, surgiu a história de que os Beatles teriam sido barrados na concentração brasileira por terras inglesas. Em sua autobigrafia, o rei do futebol afirma que John Lennon, em encontro na Big Apple, teria se queixado do tratamento dos dirigentes brasileiros que negaram o encontro do Fab Fours com os principais astros da então seleção bicampeã mundial. Lorotas à parte, no dia em que se completa 30 anos sem John Lennon, fica a nossa homenagem ao Beatle mais futeboleiro de todos. Viva John!

3 de dezembro de 2010

A volta do Rey de Copas?

Eis a última imagem da Recopa 2006: Martin Palermo, Rodrigo Palacio, Jesus Dátolo e Pablo Ledesma, abraçados junto a torcida xeneize que encheu a antiga geral amarela do Morumbi, festejavam a 16ª conquista internacional do clube mais popular da Argentina

Felipe Bigliazzi

O Morumbi se vestia de azul e amarelo pela 3ª vez na decáda - Libertadores 2000 e 2003, frente a Palmeiras e Santos. O Boca Juniors não apenas levava uma nova taça para casa como, também, se tornava o novo ‘Rey de Copas’. O termo que por décadas era clamado em cantos e bandeiras pelos torcedores do Independiente desvanecia com aquele petardo de Palermo que venceu Rogério Ceni e definiu a virada sob o futuro campeão brasileiro.

As provocações nos clássicos frente ao Boca fizeram os mais novos torcedores do Independiente procurar em sebos do Parque Rivadavia por aquela histórica edição da revista El Gráfico de 1995, que trazia a doce manchete: ”Independiente Bicampeón de La Recopa” - a última conquista internacional dos diablos rojos. O time comandado por Miguel Ángel Lopez fez uma campanha heroica. Nas oitavas de finais bateu o Santos de Giovanni e cia. A vaga veio nas penalidades, após dois empates - 1 a 1 em Avellaneda, e 2 a 2 na Vila Belmiro. A cinematográfica defesa de Mondragón na cobrança de Jamelli credenciava o Independiente para enfrentar o Nacional de Medellín.

Na 1ª partida: derrota por 1 a 0 em território cafeteiro. Na volta, na Doble Visera, (estádio rojo) com dois gols do canhoto Gustavo López, o Independiente eliminou os colombianos que contavam com o goleiro Higuita e o então bigodudo Aristizábal.

Na semifinal, nada mais, nada menos que um clássico contra o River Plate. Com dois gols de Enzo Francescoli, o conjunto millonario abria uma boa vantagem em Avellaneda. Eis que no final do cotejo apareceu o artilheiro cabeludo Tano Mazzoni, que com um doblete deixou o Independiente vivo para a volta no Monumental. Após um empate sem gols, o colombiano Mondragón se travestiu, mais uma vez, de herói na disputa de pênaltis, pegando a última cobrança de Amato e dando a vaga na final, ao então, Rey de Copas.

Ó último obstáculo era o Flamengo de Sávio e Romário que tentava a todo custo salvar o seu fracassado centenário. O 1º jogo foi na antiga Doble Visera e Mazzoni, como dizem os argentinos,: “La rompió!”. Abriu o marcador de cabeça no cobeço do jogo. No 2º gol - que marcaria a diferença no confronto - Mazzoni tabelou com o Pajáro Domizzi, que após receber passe genial de calcanhar, deu um sutil toque no canto esquerdo de Paulo Cesar: 2 a 0 com sabor de título. Na volta, nem mesmo o golaço de Romário no Maracanã serviu para tirar a última copa internacional do Independiente, que bravamente aguentou a pressão rubro-negra para dar a volta olímpica em terras cariocas.

Hoy dia

O atual momento do Independiente é controverso. Há menos de dois meses, os barrabravas explodiram contra o presidente Julio Comparada e parte do atual elenco. O estopim foi a humilhante goleada sofrida contra o Banfield na 7ª rodada do atual Torneio Apertura, que culminou com a destituição do técnico Daniel Garnero. O ídolo dos anos 90 que havia assumido a direção técnica no início da temporada dava lugar ao carismático e fanfarrão Turco Muhamed. O atual comandante do Independiente é uma figura ímpar.

Quando técnico do Huracán - clube em que foi ídolo como jogador e treinador - era um clássico deparar-se com o seu peculiar hábito de fumar o charutos cubanos na beira do gramado. Logo em sua estreia, o time deu uma resposta anímica, vencendo o arquirrival Racing por 1 a 0 . A vitória no clássico de Avellaneda determinava que o campeonato nacional havia acabado. A meta, então, era apostar tudo na Sulamericana e com um novo esquema tático - 3-1-4-2 - o clube eliminou Defensor Sporting, Deportes Tolima e LDU, até chegar a esta decisão contra o Goiás.

Turco Mohamed, como a maioria dos técnicos argentinos quando chegam a um clube em crise - trazendo na bagagem o sucesso pelo Colón de Santa Fé - postou o Independiente com uma linha de três defensores. O capitão Tuzzio foi quem mais agradeceu. Já no final de sua carreira, o ex-River encontrou seu melhor rendimento nos últimos anos, atuando como líbero. Os jovens Galeano e Velázquez - ambos surgidos nas categorias de base do clube - saem para o combate deixando Tuzzio na sobra.



Campeão pelo Banfield no Torneio Clausura de 2009, Roberto Battión, chegou ao Independiente para ser o volante central titular nesta temporada. Além de Battión, o meio campo formado por Mohammed tem os alas Mareque - lateral-esquerdo com passagens por River Plate e Porto - e Nicolás Cabrera - meia-direita, campeão argentino pelo Vélez Sarsfield. Nos pés de Cabrera surgem as jogadas mais perigosas do time, já que o ex-Racing é um especialista nas cobranças de escanteio A penúltima linha é formada por Fredes e Fernando Godoy. Hernan Freedes, que em sua 1ª passagem pelo clube chegou a atuar improvisado na lateral-direita, hoje tem a função de munuciar o ataque formado por Facundo Parra e Cuqui Silvera. A tola expulsão de Silvera em Goiânia - último remanescente do último titulo argentino do Independiente, em 2002 - serviu para instalar um grande problema para Mohamed, que conta com poucas opções de ataque em seu elenco. O mais provável é que entre a nova joia do clube: Patricio Rodriguez. O baixinho driblador chegou a ser elogiado por Ricardo Bochini (maior ídolo da história do Independiente)
que o indicou como seu sucessor.


Esta final da Copa Sulamericana - 1ª disputada no reformulado estádio Libertadores da América - tem um gosto especial para o Independiente. Igualar o Boca Juniors ainda não é possivel, pois com a volta de Riquelme, o club de la ribera levou a seguinte edição da Copa Libertadores e, posteriormente, a Recopa, somando três copas a mais que o rival de Avellaneda. No entanto, a conquista da Sulamerica 2010, se vier, servirá como uma esperança do Independiente começar a retomar o apelido de Rey de Copas. Não é preciso dizer que a metade azul de Porto Alegre e os alvinegros cariocas estão na torcida, ao coro de: Dale Rojo Dale Rojo!

2 de dezembro de 2010

Top 5 broxadas decisivas no caminho do penta

Dito, repetido, entoado como mantra. “Em pontos corridos, todo jogo é final”. A frase-mandamento está marcada com tinta verde neon, amarelo marca-texto, a la 3º uniforme do Palmeiras, na cabeça do torcedor. E assim não deveria diferir na cabeça de todo jogador

Quando mais de cem mil pessoas foram ao Vale do Anhangabaú festejar o 1º aniversário de três dígitos do clube mais popular de São Paulo, o elenco alvinegro prometeu dedicação à altura do fanatismo, dada a imensa prova de amor. Faltou ouvir melhor o clichê. E olha que não faltou experiência a um elenco com Ronaldo e Roberto Carlos, que, juntando as carreiras, somam oito títulos de campeonatos com pontos corridos.

Molhar os olhos pelas “entregadas” é discurso que nem o presidente do clube admite. Talvez o preço deva cair na conta dos atletas que fizeram campanha contra Adilson, e só voltaram a se sair bem em campo após sua demissão. Relembremos, ora pois, as cinco finais que provavelmente irão custar o título ao Corinthians, por ordem cronológica.

1x3 Atlético-GO, 10ª rodada - Serra Dourada
De um lado, o técnico ainda era Mano Menezes e o líder Corinthians permanecia como o último invicto do nacionalzão 2010. Do outro, o lanterna Dragão provava por que havia chegado à elite como candidato a bate-volta. Após nove rodadas, o improvável 1º revés da temporada desde a derrota no alagado Maracanã ficou marcado pela boa atuação do arqueiro Márcio e o pênalti desperdiçado por Chicão. No dia seguinte, o tricolor das Laranjeiras assumiria a ponta pela 1ª vez.

2x2 Ceará, 27ª rodada - Pacaembu
O sinal de alerta fora aceso no Parque São Jorge após a (esperada) derrota para o Inter e o empate com o Botafogo, com o gol do ex-corintiano Herrera mal anulado. Os três pontos contra o Ceará - à época, há cinco jogos sem vencer - eram certos na cartilha de todo alvinegro. No entanto, o que se viu nos contra-ataques às costas de Alessandro e Robeto Carlos - característica do esquema tático de Adilson - foi o brilho do veterano Magno Alves. Dali em diante, o time sem Ralf (contundido) e Elias (suspenso) se desorganizou mais que o habitual. Coube a Paulinho e Defederico (!) o papel de salvar a pátria, e camuflar a má fase com a igualdade.

1x2 Atlético-MG, 28ª rodada - Arena do Jacaré
Um Galo aflito na zona de descenso e com sede por vitória recebeu o cambaleante Corinthians, que via de olhos arregalados a crise se instaurar de vez no já não mais grande candidato à taça. A ansiedade e o nervosismo de um time repleto de improvisações desapareceram com o apito inicial, e um tranquilo Corinthians fez 1 a 0 com autoridade. Em meio aos gols desperdiçados pelo rival, o Atlético se reergueu e voltou ajustado por Dorival após o intervalo. Duas bolas paradas alçadas pelos donos da casa, e vistas de camarote pelos beques visitantes, bastaram para a virada mineira. Os comandados de Adilson perdiam outra boa oportunidade de ultrapassar os de Muricy com os 3 a 0 do Santos no Flu.

3x4 Atlético-GO, 29ª rodada - Pacaembu
Quatro partidas sem vencer eram o suficiente para a Fiel. O Paulo Machado de Carvalho viu com desconfiança os 11 que subiram do vestiário para enfrentar um Atlético Goianiense lutando para não cair. Entre os 11, os desprestigiados Thiago Heleno, Moacir e Souza mantidos da derrota para o xará mineiro do oponente. Com dois minutos, Leandro Castán iludiu os presentes. Em falhas bisonhas de Thiago Heleno e seus companheiros de sistema defensivo, o rubro-negro do cerrado transformou o 1 a 0 em 1 a 4. O vexame ainda foi amenizado pelo quase empate, mas a derrota acabou como a cereja no bolo da demissão de Adilson, que viu do vestiário seu funeral acompanhado em vigília e protestos da organizada. Menos de uma hora depois do apito final, a diretoria fechou o caixão.

1x1 Vitória, 36ª rodada - Barradão
Após todos os percalços, altos e baixos e as polêmicas de arbitragem, a maioria via no Vitória a partida mais difícil na reta final, já passados os testes de fogo frente São Paulo e Cruzeiro. O elenco unido sob a tutela de Tite e a boa fase de Ronaldo e Julio Cesar enfrentava um desorganizado combatente do rebaixamento. E mesmo com as ausências de B. César e Dentinho, o Corinthians começou melhor e logo liderava o placar. Mas veio a contusão do camisa 9, e o cansado meio-campo perdeu sua referência na frente. Num polêmico lance, Simon assinalou penal e (bola na) mão de Ralf - talvez preço do “pênalti” “sofrido” pelo fenômeno contra a raposa. O Vitória igualou e teve uma segunda etapa superior, retrato do espírito “tu não me atacas que não te ameaço”, de Tite. Simultaneamente, o gaúcho via o Flu assumir a liderança, talvez, de vez.